Como é a vida de um cão-guia?

Curiosidades | Natureza | 1 de março de 2017 por Lucas Fenrir

Você com certeza já viu alguma pessoa com deficiência visual sendo auxiliada por um cão-guia. Seja na TV ou pessoalmente, esses animais são profissionais responsáveis pela segurança dos seus companheiros. Eles são treinados a vida todo, com uma rotina dura.

Esses cães-guias são treinados por meio de comandos verbais, além de vários exercícios de associação. Existem vários centros de treinamento especializados neste serviço. Eles geralmente são financiados por ONGs ou pelo governo, e bancam todo o custo do treinamento (valores que vão de R$ 35 mil até R$ 45 mil).

À partir dai, são os “clientes” que arcam com as demais despesas, como alimentação, veterinário, banhos, tosas, entre outros.

Acredita-se que os cães eram usados como guias desde 79 d.C. Em 1916, foi inaugurada a primeira escola de treinamento, na Alemanha. No Brasil, porém, a presença de cães-guia em espaços públicos só foi permitida por lei em 2006. Mesmo assim, os cachorros eram treinados e usados no País bem antes disso.

Infelizmente, a procura por esse serviço é maior do que a disponibilidade. Cerca de cinco cães são treinados a cada ano, porém há mais de 8 mil pessoas na fila de espera.

Trabalho de verdade

Os Cães são entregues aos deficientes visuais com pouco mais de um ano de vida. Bem novinhos, eles trabalham, geralmente, até os nove anos de idade.

O processo de treinamento é longo, e funciona da seguinte forma:

Com 3 meses de vida, o cachorro selecionado passa pela socialização. Essa é a primeira fase do treinamento. Durante esse período, ele é adotado por uma família provisória, que apresenta o cãozinho às diversas situações do dia a dia. Ele acompanha as pessoas ao trabalho, aos momentos de lazer e também anda de transporte público. Isso faz com que o cachorro se acostume com a vida em sociedade.

Depois, o cãozinho é devolvido para o centro de treinamento, a fim de aprender os comandos básicos. Ele passa a usar a Guia (aquele famoso “colete” com alça rígida, que serve para conduzir o deficiente visual). Nesse treinamento, eles precisam fazer que o cão entenda uma coisa: enquanto estiver com a Guia, ele estará trabalhando. Somente quando a Guia for retirada é que ele pode brincar e se comportar normalmente.

Esse treinamento dura de cinco a oito meses. Ele se baseia principalmente em comandos verbais e repetição. O principal exercício é andar em linha reta. Quando o cão se desvia do caminho, o treinador para. Isso é repetido até o cãozinho entenda que não pode sair da rota.

Depois disso, o cachorro aprende a parar no meio-fio, antes de atravessar a rua. O treinador o adestra até que o cachorro compreenda que tem que se sentar e esperar. E que quando os carros pararem, é hora de seguir.

O cachorro precisa ser levado aos lugares designados, para aprender o caminho. E ele também aprende os nomes dos locais. Por exemplo, levá-lo ao Mercado e repetir a palavra “Mercado” com o cachorro lá dentro fará com que relacione a palavra ao local.

Também é importante ensiná-lo a se sentar e se deitar, quando o treinador (e depois o deficiente visual) se acomodar em algum lugar. Nunca no colo ou no banco.

Outro aspecto muito importante é ensinar o cãozinho a ter uma “desobediência inteligente”. Ou seja, saber a hora de ignorar certos comandos. Para isso, o cãozinho tem que aprender a reconhecer situações de perigo, como buracos. Quando as encontra, ele deve se recusar a seguir a ordem de andar.

Cão-Guia e Dono

Com o cão treinado, começam os trabalhos com o futuro dono. Durante um mês, o deficiente visual e o cachorro vão ser acompanhado pelo do centro de treinamento. Caso um dos dois não se adapte, o processo não continua (porém isso muito raramente acontece). Com o novo dono, o cachorro vai aprender onde são “casa”, “trabalho”, etc.

Além disso, uma vez por ano, o centro de treinamento avalia o cachorro, para determinar a hora da aposentadoria do cãozinho. Quando ele completa 9 anos de idade, essa fiscalização passa a ser de seis em seis meses, ou até de quatro em quatro, dependendo do caso. Porém, é exemplos de cães-guias que já trabalharam até os 12 anos.

Uma vez dispensados, os cães ex-guias geralmente ficam com o dono.

É importante lembrar que, mesmo com o treinamento, o cachorro não perde seus instintos. Por isso, ele precisa ser castrado, bem alimentado e deve fazer suas necessidades, antes de sair de casa.

Caso a pessoa não tiver condições de manter o cão, ele volta para o centro de treinamento e entra para adoção.

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